O público decepcionou, a banda não.
Serei justo, o evento foi muito bom. Quem foi, quem viu, curtiu (rimei!).
O problema foi exatamente esse: muita gente não foi. Realmente o Prodigy não é uma banda que está em evidência no mercado nacional, mas convenhamos que, tirando as “bandas de sempre”, quase nenhuma outra está em evidência no mercado nacional.
O negócio aqui tá tão feio que o mercado é que corre atrás da galera, já que ninguém precisa mais de rádio e da mídia antiga pra ficar por dentro do que é bom.
Mas se for isso mesmo, eu acabo de ir contra o que eu acabei de falar. Acho que pode ser uma combinação disso com o preço dos ingressos e falta de divulgação e outros fatores.
Uma amiga minha, por exemplo, falou que não foi somente por que havia se esquecido de que o show era hoje. Segundo ela, o burburinho do show aconteceu quando a data foi marcada, algo em torno de uns 2 ou 3 meses atrás. Depois o tempo foi passando e ela sabia que era agora pelo final do mês, mas como ninguém mais falou nada do assunto, o show aconteceu e ela só soube no dia.
O público da casa era pequeno mas a animação não.
Pra mim foi uma verdadeira odisséia.
Havia saído na noite anterior, uma quinta-feira, e na sexta-feira, dia do show, eu, de ressaca, tinha que trabalhar até as 19:00, ir pra aula de pós graduação até as 22:00 e ir direto pro show.
Nada iria me privar de ver o show do Skatalites, uma das bandas inventoras do ska, vinda direto da Jamaica, que já havia tocado 2 noites em SP e nunca tinha se apresentado no Rio.
Os portões abriram as 23:00 e no começo, pela quantidade de gente do lado de fora do Circo Voador, achei que pudesse ser um fiasco. Já apontávamos os porquês desse tipo de evento não dar certo e as falhas da produção e divulgação.
Quando o Canastra subiu ao palco para tocar seu rockabilly, o público ainda era pequeno. Uma pena, pois perderam um showzão. Canastra é uma big band clássica de rock n’ roll. Baixão acustico, metais e guitarrinhas no melhor estilo Stray Cats. Quem escuta, dança. É muito contagiante. Muito bom ver casais dançando como se estivessem no baile Encanto Submarino do Back To The Future.
A banda embalou sons dos seus 2 discos com direito a vários covers. No video abaixo temos uma versão de “In the mood”.
A primeira vez que ouvi Little Joy foi no MySpace. Alguém comentou comigo: “Ouviu a música nova do Amarante?”. Não lembro bem qual delas foi, mas ouvi e não gostei.
Claro, como fã de Los Hermanos achei estranho logo de cara. A primeira impressão foi de repulsa. O mesmo aconteceu quando ouvi a bossa em marcha mais do que lenta do Camelo a primeira vez, mas depois de ouvir melhor o restante do album, passei a gostar muito.
Apesar de muita gente ter me falado que o som d0 Little Joy era bom, eu já havia deixado de lado a banda. Foi então que num email da newsletter de novidades do festival de Glastonbury, a organizadora falava brincando: “Estou viciada no album da Little Joy. Então, Little Joy na pirâmide este ano?”. A pirâmide é o principal e emblemático palco do festival onde aconteceram shows clássicos de bandas como Radiohead, Muse e infinitas outras.
Na mesma hora eu parei e pensei: Tenho que ouvir Little Joy agora.
Não é dificil entender o porquê da boa aceitação do som dos caras: É fácil de ouvir.
O trio, formado pelo Ex-Hermanos (agora não tão ex não é?) Amarante, o batera dos Strokes e não menos brasileiro Fabrizio Moretti e Binki Shapiro acertou em cheio na levada. Dá pra achar escondido nas músicas um pouco de Los Hermanos, um pouco de Strokes, um pouco de bossa-nova e trocentas outras boas influências. Os vocais de Shapiro são aveludados e combinam muito bem com os vocais arrastados e etílicos do Amarante. Até os vocais de fundo de Fabrizio são bons.
Destaque para The Next Time Around, Brand New Start, Shoulder To Shoulder, Keep Me In Mind e Don’t Watch Me Dancing.
O album é bom e, em alguns momentos é muito bom.
Vale a pena ouvir.
Okay, o show de ontem não foi só do Rivets.
Para falar a verdade a grande estrela da noite, segundo o ingresso, era o Face To Face. Mas como eu não conheço tanto assim o som dos caras, só posso dizer que o show foi bem maneiro e agitado. A galera não parou um minuto de abrir roda.
Mas pra mim (e pra muitos outros que lá estavam) o show do Rivets era um acontecimento histórico. Escuto Rivets desde muito tempo, já fiz vários amigos meus gostarem da banda, mas nunca tinha visto um show dos caras.
E foi ontem, muitos anos depois de ter conhecido a banda que eu tive essa oportunidade e, valeu cada centavo e a espera: o show foi foda.
Os caras fizeram um set com as melhores faixas do CD Point Of View e incluíram músicas que, segundo os mesmos, são “novas”, tendo apenas alguns anos de vida.

O público tinha as letras na ponta da lingua e a banda parecia nunca ter parado de tocar junta. No final, um coro repetia em alto e bom som: “Volta! Volta! Volta”.
Ontem tive a oportunidade de ver a segunda apresentação do show do CD solo do Marcelo Camelo, ex-vocalista do Los Hermanos, banda que se encontra em um “hiato” até sabe-se lá quando.
A banda que acompanha o músico é tão boa que dizer que o show é só do Marcelo Camelo chega a parecer uma injustiça. O Hurtmold, grupo que acompanha Camelo, conta com, além dos músicos clássicos (baixo, batera, guitarra), um trompetista, um xilofonista e um percussionista. Além disso, os caras são bem versáteis e ora um guitarrista vai pro teclado, ora o baterista saca um outro trompete além de outras combinações inusitadas.
O show contou com várias músicas do CD novo, incluindo Doce Solidão, Passeando, Janta (sem a presença da namorada do cantor, Mallu Magalhães), Téo e a Gaivota, Menina Bordada, Santa Chuva e também com alguns sucessos do Los Hermanos como Além Do Que Se Vê, Morena e Conversa de Botas Batidas.
Destaque para Copa Cabana, uma típica marchinha de carnaval, que embalou o público e tranformou o Canecão num verdadeiro carnaval de rua.
O “fim” dos Hermanos deixou um certo vazio nos fãs, mas que está sendo muito bem preenchido pelos filhotes que estão nascendo nos projetos de seus ex-integrantes. O solo de Camelo é um ótimo exemplo disso.