Minha história na Europa é longa, envolve 10 cidades em diversos países, inúmeros perrengues e casos, mas o que importa pro QPP é que no final de tudo, em Lisboa, comprei uma barraca que armava sozinha, um sleeping bag e me lancei pros cafundós do Judas, no interior da Bélgica. Hasselt era o destino, mais especificamente em Kewit, uma estação de trem.
A ida até Bruxelas eu fiz de avião. Talvez uma das únicas coisas que foi realmente planejada nessa viagem. Passagem Lisboa-Bruxelas-Lisboa comprada no mesmo momento que eu comprei o meu ingresso pro festival, meses antes da viagem.
Chegando no aeroporto de Bruxelas, gigante por sinal, vejo que a Infraero da Bélgica é como a brasileira, ou seja, muito enrolada. Você sai do avião, anda anda anda, passa por um shopping center, desce três lances de escada rolante, sobre outros três novamente e nada de pegar a bagagem. A Bélgica é tão pequena que é bem capaz das malas terem ido parar na Holanda que é ali do lado e eles terem ido buscar “rapidinho”.
Bem, malas na mão, ou melhor, barraca na mão, mochila nas costas, lá estava eu procurando a estação de trem que passava dentro do aeroporto. Coisa fina. Cheguei lá, me informei sobre a ida e a volta, o cara falou em inglês perfeito comigo, muito educado, imprimiu um papel com o horário do trem de volta e onde eu deveria saltar para fazer a baldiação. É assim que escreve? Baldiação? Vamos lá…
Pego um trem sozinho até a verdadeira estação giga de Bruxelas. Quando chego lá, trocentas mil cabeças, adolescentes, crianças e adultos esperando pelo trem. A maioria com suas mega mochilas, barracas e cervejas…mtas cervejas. Zoeira total.
Esqueci de dizer que o ingresso pro festival me dava direito ao trem de ida e volta de graça e como eu ia ficar os 3 dias do festival eu podia chegar um dia mais cedo para montar minha barraca e sair um dia depois do término do festival. Bom esquema.
Trenzão foda de 2 andares para na estação e a muvucada parte em massa pegar um lugar. O trem fica mais lotado do que trem da Central as sextas-feiras por volta das 19:00. Ok, não tão lotado, mas incrivelmente lotado. Teve gente que teve que ir em pé. Pelo menos tinha ar refrigerado e eu consegui um lugar pra mim sozinhão, sem ter lugar do lado.
Fone no ouvido e partiu!
Chegando em Kewit, o circo já estava armado. Da estação até a entrada do festival era uma pequena caminhada, mas já estava tudo tomado…. zilhões de pessoas, gente vendendo cachorro quente, cerveja, brindes sendo distribuídos, uma infinidade de gente sentada em cima das malas esperando algo (o que eu não sei). Fui num baita calor, de calça jeans (tinha acabado de sair de um vôo gelado) pegar a minha pulseira do festival. Ela seria o meu passaporte de entrada para a área de camping e no dia seguinte para o festival propriamente dito.
Esse “pegar a pulseira” que eu achei que fosse ser tranquilo, era uma zona. Um bilhão de pessoas se amontoando para conseguir trocar o ingresso pela pulseira porém as filas eram relativas. Não havia uma marcação nem nada, ou seja, era cada um por si.
No meio da fila tinha de tudo, gente sentada nas coisas bebendo, gente batendo foto, gente tocando violão, gente tocando zona, era uma farra só.
Quando chegou o meu momento de pegar a pulseira em um dos guichês, um louco veio falar comigo, o cara tava que era animação pura. Peguei minha pulseira, ele pegou a dele e quanto estávamos saindo da fila o telefone celular dele tocou e o toque era Reel Big Fish.
Quando ele desligou eu falei: “Gostei do toque, bela escolha. Reel Big Fish”.
Ele na hora falou: “Cadê sua galera?”
E eu: “Eu sou a minha galera”.
Aí ele falou: “Pois então agora você é da minha galera. A galera do mundo todo que combinou de se encontrar aqui pelo Facebook”.
Pronto, já tinha uma galera.
La dentro da área de camping a quantidade de gente já era mega ultra giga e não ia parar de crescer. Montamos nossas barracas, e acabei dando teto pra um dos caras do grupo que teve a barraca roubada quando foi buscar a pulseira dele. Deu mole, pra isso eu tô calejado
Barracas montadas, bandeirão do Brasil em cima da minha, bandeirão da Dinamarca hasteada em um mastro gigante q levaram e pronto, já estávamos prontos pro festival que começava no dia seguinte.
Naquele dia porém uma das tendas eletrônicas já abria para o deleite da galera. O nome já dizia tudo: THE BOILER ROOM. O lance era mais quente que o Rio de Janeiro no verão.
Mas vamos ao que interessa: os shows!
Primeiro Dia:
Fui para o palco chamado The Shelter e assisti 3 bandas na sequência: This City, Ghost of a Thousand e Zebrahead
A primeira era um screamo no estilo At The Drive In. O show foi bom, nada muito empolgante pra mim, mas foi interessante.
A banda que veio na sequência, The Ghost of a Thousand, já tinha muito mais desenvoltura no palco, um vocalista beirando a insanidade, desses que desce do palco com microfone (com fio) e tudo, vai no meio da galera, volta, se joga, entra na roda e o escambau. O estilo era basicamente o mesmo da This City, um pouco mais pesado e menos emo, e com muito mais atitude por parte dos integrantes. Vi rodas como não havia visto em show algum. Aquele lance de geral ficar rodando feito louco…. mto foda….
E então fiquei pra ver a meio manjada Zebrahead, os caras já tiveram música na trilha do Fifa Soccer e etc… a galera esperava bastante a banda que mistura um punk rock com algo meio rap. Uma banda mais madura, um show mais maduro e bom por conta disso, mas as músicas que ouvi não eram nada empolgantes. O pessoal foi ao delírio.
Do fim do Zebrahead fui do palco Shelter pro Marquee, onde o Bon Iver começava o show dele. A tenda não tinha espaço nem pra respirar. O povo já via o show do Bon Iver e aguardava ansiosamente pelo Dizzee Rascal, que eu já havia ouvido falar mas não tinha idéia do que era.
Entonces, vi deitado no chão o show do Bon Iver. Um belíssimo show, mais pela presença da galera que era muitíssimo fã e cantava todas as musicas.
Ao final, vi uma verdadeira multidão correr pra ver o Dizzee Rascal, e eu fiquei lá deitadão do lado de fora da tenda esperando pra ver o que vinha por aí.
Bem, o estilo do cara e da música não me agrada. É quase como um funk pra inglês ver, tipo música de negão pra tocar no verão espanhol ou coisa parecida. A galera lá se amarrou muitíssimo e acho que a tenda recebeu lotação máxima permitida fora a galera que se amontoou fora da tenda para ver o show pelo telão. As meninas perdendo a linha na dancinha sensual.
Uma coisa sagaz do festival foi colocar públicos diferentes na mesma tenda, o que fazia com que o povo saísse da tenda no final dos shows. Pra vc ter uma idéia, tivemos Bon Iver, na sequência Dizzee Rascal e logo depois Wilco.
Resultado: Ao final do Dizzee Rascal a tenda esvaziou e lá fui eu ver o Wilco das primeiras filas.
Que belo belo belo show. Execuções perfeitas, vários hits no setlist, e o guitarrista solando com uma vontade fora do normal. Um show histórico e eu que nem sou profundo conhecedor de Wilco gostei e me diverti incrivelmente. Deu pra viajar, lembrar dos amigos que estavam no Brasil e curtir um som foda. Essa é a beleza de um festival desses: ver bandas como o Wilco em palcos menores e com muito mais troca entre a banda e o público.
Depois do Wilco, no mesmo palco, havia uma atração surpresa listada na programação. Eu, que estava acampando, vindo de uma viagem onde não fiquei muito tempo conectado não tinha a menor idéia de quem poderia ser a atração surpresa.
Deftones tocava no palco principal, Thursday no palco Shelter, Simian Mobile Disco (Live) no palco Dance Hall, outras bandas nos palcos restantes e eu resolvi pagar pra ver qual era a banda surpresa.
Havia especulações sobre Pearl Jam e tudo mais que vc pode imaginar. Quem gostava muito de uma banda X achava que seria ela a tocar.
Foi quando eu cheguei pra um cara mais coroa que tava do meu lado na platéia e perguntei: “Quem você acha que vai tocar agora?”
O cara me respondeu: “Você não sabe?”
Eu respondi que não e ele me disse: “Saiu ontem na internet. Você não sabe mesmo?”
Eu respondi novamente que não e ele me disse: “Them Crooked Vultures”
Aí vem a pausa dramática nesse post e a pergunta minha para você que está lendo: Você já ouviu falar nessa banda?
É a banda do Dave, John e Josh. Sabe?
Porra! O Dave que toca naquela banda…. Foo Fighters. Grohl. saca? Dave Grohl?
O Josh toca naquela QOTSA. Tal de Queens of The Stone Age. Josh Homme. Saca?
E o John talvez seja o que talvez você já tenha ouvido falar. Tocava numa banda que já acabou tem um tempo, uma tal de Led Zeppelin.
Meu xará, John Paul Jones.
Pois é, valeu muito a pena jogar os outros shows ao vento para ver em primeiríssima mão o show desses caras.
Tudo bem, eu não conhecia música nenhuma, mas imagina que ver o John Paul Jones na minha frente tocando baixo, com o Dave Grohl assassinando a bateria com uma mega felicidade no rosto e músicas cantadas pelo Josh Homme no melhor estilo QOTSA tomando esteróides.
PQP!!! Foi incrivelmente foda.
Akilo não tinha como melhorar não é?
Pois continuou incrivelmente foda.
Depois do show dos caras a galera deixou a tenda e eu pude ver o show do Beirut da grade. Que belo show hein? Puta merda. Do baterista nerdzão ao baixista branquelo com seu baixo acustico, foi tudo muito perfeito. Tudo tocado com maestria, a galera cantando as melodias e uma música foda atrás da outra. Ali acho que pode ter sido o ponto alto da noite.
Troquei o Offspring pelo Beirut, já que havia visto o Offspring no ano passado no Planeta Terra 2008 e era o mesmo show de agora. Quem viu no Pukkelpop falou que foi foda demais, e com certeza foi, pq o do Planeta Terra foi muito divertido. Um hit atrás do outro.
Ainda tinha mais por vir.
Saí de lá e parti direto pro show mais importante da noite: FAITH NO MORE.
Bengala é o caralho, o Mike Patton tá cantando mais do que ele cantava antigamente, não para um segundo no palco, continua louco de jogar pedra. O show é fodão fodão fodão. Realizei o meu sonho de infância de ver o Faith No More. Coisa que eu não consegui fazer quando tentei na primeira vinda deles. Ok, confesso que meu pai não quis me dar dinheiro e não me deixou ir.
Ao final do show, fui relaxar na tenda Club com o show do Zero 7. Mega ultra foda. Era o que eu precisava pra dormir feliz.
SEGUNDO DIA:
O segundo dia começou direto no palco principal pra ver a gostosa do Metric. Rapaz, que belo show hein? A banda é umas das minhas preferidas de vocal feminino e é um powertrio de mãos cheias, e por que não dizer, de pernas cheias.
Que pernão amigo!!!! A vocalista não para quieta um minuto, com um micro vestido ela andou pra cá e pra lá hipnotizando a galera que curtia o som e um belo visual.
Ao final de Metric, a galera saiu pra ver outros shows e eu fiquei na grade novamente para ver o New Found Glory. Banda das minhas preferidas da época de adolescente e que eu tinha visto esse ano mesmo no Circo Voador.
O show foi curto, mas valeu muito simplesmente porque o vocalista Jason desceu do palco e foi pra galera cantar, sendo que a galera era exatamente onde eu estava. Resultado: apareci no telão cantando e os meus recém amigos do acampamento me falaram que eu tinha virado celebridade, pois todos eles que estavam lá atrás tinham me visto. Foi um bom show, misto de clássicos das antigas com algumas músicas do novo CD e do anterior de covers de músicas de cinema.
Ao fim desse show, dei uma desncasada, afinal de contas pogar cansa, e muito.
Segui para o palco Marquee para ver Airborne Toxic Event. Banda bastante rock n’ roll clássico, porém com uma menina tocando violino. Vocalista com ótima presença de palco. A galera foi ao delírio. Toda a hora algum integrante subia na bateria ou numa das caixas de som pra fazer uma pose rocker heehehehe. Gostei muito do show.
Depois foi a vez dos caras do Glasvegas subir ao palco do Marquee pra fazerem um dos melhores shows da noite. O vocalista tem um certo complexo de Deus, ou simplesmente de um rockeiro com muita auto-estima. Faz pose, canta, tira a jaqueta, bota a jaqueta, joga pro alto… e os caras, apesar do som ser meio meloso, tem muita atitude no palco e fazem o estilo roqueiro de jaqueta de couro.
Depois do belo show do Glasvegas, chegou um dos shows mais esperados por mim e com certeza pela galera do Pukkelpop. Pelo que eu entendi, foi o segundo ano consecutivo do Vampire Weekend no festival. Sendo que no primeiro ano eles tocaram na menor tenda e o sucesso deles foi tão grande (tanto no festival quanto fora dele) que eles foram convidados para repetir a dose, dessa vez num palco maior.
O show foi perfeito. Todas as musicas fodas do primeiro album, uma palhinha do que vem no album novo e uma plateia cantando todas as musicas!!!! Fodão ver o Vampire Weekend ao vivo. Não sei quando seria capaz de ve-los em tão boa oportunidade.
Ao final desse show, o povo todo correu para ver o Snow Patrol no palco principal e eu corri para me juntar ao velhos idosos no palco The Shelter (o menor) para ver a volta de uma banda clássica: THE GET UP KIDS
O ambiente estava perfeito. Uma boa galera da minha idade cantando e dançando os sucessos dos caras la na frente e uma galera mais nova curiosa com o som dos caras. O bom do palco The Shelter é o fato de que ele é o menor, então é só o artista la no alto e você, sem grades, sem espaços grandes separando nem nada. Você grita aqui debaixo o nome de uma musica e o cara de cima do palco escuta e acena falando: vai tocar! vai tocar!
Ao final do show, um bando de desconhecidos já se abraçava e cantava os clássicos como Ten Minutes, Action and Action e muitas outras.
Fodão fodão fodão.
Sai do The Shelter com a sensação de alma lavada por ter visto uma banda que eu achava que jamais iria ver, simplesmente porque eles haviam terminado.
Foi andando até o palco principal pra ver o show do Placebo.
Foi mal aí pra quem gosta, mas eu acho muito chato. Assisti e achei muito morno o show dos caras. O público também não se empolgou muito não.
Um pouco mais tarde os robos do Kraftwerk subiram ao palco e repetiram o mesmo show que eu vi aqui no Rio abrindo pro Radiohead. O que não faz disso um show menor, muito pelo contrário, é fodão.
TERCEIRO DIA:
O terceiro dia foi o que entramos mais tarde no festival. Aproveitamos que não tinha nenhuma banda que alguem do grupo falasse: Essa é boa! e fomos andar na cidade e tomar cervejas variadas.
Quando chegamos ao festival fui pro show do Enter Shikari. Achei uma merda, cai fora e fui me preparar pra ver o Dinosaur Jr. no palco principal.
Porra, que belo powertrio hein? O show do Dinosaur Jr. tinha que ser em um dos palcos menores pra aproveitar a atmosfera e a galera. Acaba por ficar um pouco frio os caras tocando longe, mas mesmo assim foi um show bom demais. Várias músicas do album novo Farm e outras clássicas dos antigos.
Enquanto o pessoal ia ver o show do 50Cent no palco principal eu fui ver The Whitest Boy Alive, banda de um dos caras do Kings of Convenience. Puta merda, o nerd branquelo zoa muito com essa banda dele. Todo mundo empolgadão tocando. Só tinha nerd na banda, desde o DJ até o baterista. Os caras tem um som muito foda e empolgam no palco. Resultado: Uma festa na plateia. Geral dançando, batendo palma. A união perfeita entre público e artista. Outro show nota 10. Os caras tocaram um cover the Give Me Love no final do show e o povo delirou e reclamou quando acabou. Foda.
Corri depois entre os shows do Klaxons, N*E*R*D, Life of Agony, dEUS, e fui me preparar pro show do Arctic Monkeys.
Mais um show super bem executado, com várias músicas novas muito boas e antigas excelentes mas que não empolga. Não sei muito bem o porquê, mas acho que é simplesmente porque a banda toca aquilo tudo mecanicamente e não interage com o público.
Assim como o show do Rio, o show foi frio, apesar de todo sucesso da banda e dos 3 ótimos CDs.
E esse foi o fim do Pukkelpop 2009.
Ano que vem tem mais. Bem, pelo menos pra eles tem. Pra mim são outros 500.




































































































